Wednesday, August 22, 2007

O tempo não para...



Já faz alguns meses que estou tendo uma certa dificuldade de ter uma noite de sono bem dormida. Meu problema não é demorar para dormir, isso eu faço com uma facilidade de dar inveja em muita gente. Porém, tenho dificuldade na manutenção do sono. E isso não importa a hora que eu vou dormir, nem o que eu fiz durante do dia, se caminhei o tempo todo ou se fiquei grudada no computador. Simplesmente não importa. É passar das 3 da madruga que eu desperto. Não é sempre o mesmo horário, ontem por exemplo acordei as 4:45 da manhã. E até ontem eu achava que o pior barulho que pode existir na categoria "barulhos da madrugada" é o som do relógio, logo explicarei porque mudei de idéia. O tic-tac, tic-tac, tic-tac funciona como um gerador de ansiedade para mim. Não consigo dormir, tic-tac, o tempo tá passando, tic-tac, será que foi alguma coisa que eu comi, tic-tac, hoje não comi nada, tic-tac, já estou acordada a uma hora, tic-tac... Maldito relógio! Minha última tese do porquê não tenho um noite completa de sono é a idade. Estou a algumas semanas de completar 3 décadas de vida e meu sono já foi afetado, de forma precoce eu imagino. Não quero nem pensar em remédios. Tenho visto na TV muitos comerciais de remédios para insônia e prestando atenção nos atores, todos me parecem mais velhos que eu... Então acho mesmo que eu não qualifico, assim dessa forma bem científica, está decidido. Contar carneirinhos não é para mim, e fazer relaxamento começando pelos pés, como uma vez um palestrante de técnicas de relaxamento me sugeriu, muito menos. Suas palavras: "comece a pensar no seu dedão, pense que ele está leve, leve, e você não está mais sentido de tão leve que ele está, faça isso com cada dedo, começando pela direita e depois esquerda. Então vá subindo..." Oh my God, eu estava dormindo, quão pesado meus pés poderiam estar??? Mas se eu voltar para minha teoria do que eu comi na noite anterior talvez faça algum sentido. Enfim, minha solução é não pensar em nada, tentar enganar o cérebro, e para isso, nada melhor que ligar a tv e colocar num canal de televendas de produtos inúteis. Geralmente funciona. O ruim é quando funciona rápido demais, eu durmo e a TV continua ligada. Alguém tem que acordar para desligar a TV e eu nunca acordo pela segunda vez... Ops...
Bom, tudo isso para falar que essa noite mudei de idéia. O barulho do relógio não ocupa mais o status do meu pior inimigo na madrugada. Este espaço foi ocupado pelo alarme de fogo do meu prédio. As 2:30 A.M. eu já estava no meu vigésimo sono - e provavelmente o último da noite - quando acordo com um barulhão ensurdecedor. Com os olhos arregalados cutuco o marido, ele me olha e vira para o lado. Cutuco de novo e então começa a correria. Troca rápida de roupa, procura calça, procura blusa, ida ao banheiro para olhar o cabelo e então rumo a rua. É claro que quase todos os moradores dos outros apartamentos já estavam lá, porque quem em sã consciência vai trocar de roupa num incêndio? Ou pior, olhar como está o cabelo? Passados 4 minutos chegam 2 carros de bombeiro, mas já sabíamos que tinha sido um alarme falso. Conclusão, o relógio é chato mas pelo menos não me acorda, agora o alarme contra incêndio... Para minha sorte, essa provavelmente será a última vez que ele quase me causa um dano cardíaco, porque em uma semaninha mudaremos para uma casa!!!!

Monday, August 20, 2007

Seguindo na direção norte!


Finalmente criei um blog! Com um ano de atraso, pois tive essa idéia quando cheguei nos EUA e pensei em escrever minhas experiências na terra do Tio Sam. Achei que seria uma boa forma de registrar e dividir todas as coisas diferentes aqui vividas.
Antes tarde do que nunca, certo?!
Como viémos parar aqui...
Me lembro que quando ficamos sabendo que viríamos para Boston, foi uma alegria danada. Pois era a premiação de tanto esforço do Lú, que durante meses ficou indo atrás desse sonho. A primeira pessoa que contei foi minha mãe, que como eu é uma manteiga derretida. Choramos e rimos ao mesmo tempo, numa mistura de emoções inexplicável. Quando falei para meu pai, tive uma certa dificuldade de entender imediatamente sua reação. Ele ficou feliz da vida e falou:" Vão mesmo. E fiquem por lá!" Nossaaaaaaaa, eu quase pulei no pescoço dele. E logo veio a minha pérola: "quer se ver livre de mim, é?! Não me amas?" E ele então, com uma paciência que geralmente não lhe é peculiar, hehehe, me falou de toda sua indignação com o nosso país e que teríamos uma oportunidade única de construir uma vida num lugar com mais justiça, com menos baderna, etc, etc, etc. No fundo eu sabia que ele só estava pensando no nosso bem, mas eu adoro um drama. A família do Lú recebeu a notícia com muita felicidade também. Acho que a Tia Bea - mãe do Lú - teve a mesma mistura de emoções que minha mãe.
O próximo passo foi vender absolutamente tudo, salvo nossos presentes de casamento que até hoje congestionam um quarto no apartamento da minha sogrinha querida. Tudo para conseguir fazer uma reserva para mudança de país. Ficar sem nosso carro e sem nossa cama, nossas coisas, foi complicado, mas foi por pouco tempo. Com a ajuda da família tudo ficou mais fácil.
Com quase tudo organizado no Brasil , comecei a ir atrás de coisas para ocupar de forma útil meu tempo nos EUA. Mandei trocentos emails para vários centros de fonoaudiologia em Boston, mas ninguém se deu o trabalho de responder. Decidi fazer um curso intensivo de inglês, pois estava SUPER enferrujada. Então meu primeiro mês e meio de Boston já estava preenchido: aulinhas de inglês.
Através da Internet alugamos um Studio, que é a palavra que eles usam para Kitnet, que ficava a dois passos do hospital do Luti. Agora era só esperar.
Nossas expectativas estavam nas estrelas...